Lídia Pereira sublinha impacto económico e valor geopolítico do Acordo UE-Mercosul

09.01.2026 14:35

Lídia Pereira sublinha impacto económico e valor geopolítico do Acordo UE-Mercosul

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Os pontos de vista aqui expressos são opiniões da delegação nacional e nem sempre reflectem as posições do Grupo parlamentar do PPE

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O Conselho Europeu deu luz verde à assinatura do acordo de comércio livre com o Mercosul, envolvendo o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, após uma maioria qualificada de Estados-Membros ter aprovado o avanço do processo. Trata-se de um dos maiores acordos comerciais alguma vez celebrados pela UE, tanto em dimensão económica como em relevância estratégica.

Para a eurodeputada Lídia Pereira, membro da Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu, este acordo representa “uma oportunidade económica clara para a Europa, mas também uma decisão geopolítica estruturante num contexto internacional cada vez mais instável”. Segundo a eurodeputada, “ao reforçar a parceria com a América do Sul, a União Europeia diversifica cadeias de valor, reduz dependências estratégicas e afirma-se como um ator global aberto, previsível e comprometido com regras”.

Do ponto de vista económico, o acordo deverá gerar mais de 40 mil milhões de euros por ano em comércio bilateral, com um saldo claramente favorável à União Europeia. As exportações europeias para o Mercosul poderão aumentar entre 30% e 50%, representando cerca de 30 mil milhões de euros adicionais, enquanto as importações provenientes do Mercosul crescerão cerca de 10 mil milhões de euros. Estima-se ainda que a UE obtenha ganhos económicos líquidos entre 4 e 9 mil milhões de euros por ano, incluindo poupanças anuais de cerca de 4 mil milhões de euros em tarifas aplicadas às exportações europeias  .

Entre os setores europeus mais beneficiados destacam-se a indústria automóvel, a maquinaria industrial, os produtos químicos e farmacêuticos, bem como o setor agroalimentar de valor acrescentado. As exportações de vinho, queijos e lacticínios e azeite deverão registar crescimentos muito significativos, com a proteção de 344 indicações geográficas europeias, incluindo 36 portuguesas, salvaguardando qualidade, origem e valor dos produtos  .

No caso de Portugal, Lídia Pereira sublinha que o acordo “abre perspetivas muito concretas”. O comércio total entre Portugal e o Mercosul ascende já a 8,5 mil milhões de euros, considerando bens e serviços, sendo que só as exportações portuguesas de serviços representam cerca de 2,4 mil milhões de euros por ano, com especial peso nos transportes, turismo e serviços empresariais. Setores como o vinho, o azeite, a maquinaria, o material elétrico e o material de transporte estão entre os principais beneficiários da eliminação gradual de tarifas, que abrangerá 91% dos produtos.

A eurodeputada destaca ainda que “o acordo não ignora as preocupações do setor agrícola europeu”, lembrando que foram incluídas quotas, cláusulas de salvaguarda e mecanismos de resposta rápida para proteger produtos sensíveis como a carne de bovino, aves, açúcar e etanol. “É um acordo equilibrado: abre mercados, cria oportunidades, mas protege os setores mais vulneráveis”, afirmou.

Num plano mais amplo, Lídia Pereira considera que a assinatura do acordo UE–Mercosul “envia uma mensagem política forte num momento em que o comércio internacional é cada vez mais usado como arma”. Para a eurodeputada, “este acordo mostra que a Europa escolhe cooperação em vez de isolamento e regras em vez de confrontação, reforçando a sua posição num mundo marcado por rivalidades geopolíticas”.

Notas aos editores

O Grupo PPE é o maior grupo político no Parlamento Europeu, composto por 187 deputados de todos os Estados Membros

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