OS PONTOS DE VISTA AQUI EXPRESSOS SÃO OPINIÕES DA DELEGAÇÃO NACIONAL E NEM SEMPRE REFLECTEM AS POSIÇÕES DO GRUPO PARLAMENTAR DO PPE

O eurodeputado do CDS Nuno Melo defendeu que parte da futura estrutura a criar dentro do Mecanismo Europeu de Proteção Civil deve ficar sediada em Portugal, por ser um dos países mais afetados pelos fogos florestais.

Nuno Melo, que visitou, nos dias 25 e 26 de janeiro, a zona de Pedrógão Grande e Lousã integrando uma delegação de eurodeputados do Partido Popular Europeu (PPE), afirmou que é necessário existir no Sul da Europa "equipamento, meios e formas capazes de comunicação", para que fogos futuros tenham resultados diferentes daqueles que se registaram em 2017, em Portugal.

"Os eurodeputados portugueses estão empenhados largamente neste futuro mecanismo que fez falta e, existindo no futuro, fará a diferença", sublinhou Nuno Melo, que falava aos jornalistas após uma visita ao Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais (LEIF), na Lousã, distrito de Coimbra.

Para o eurodeputado do CDS, o sul da Europa terá "seguramente" de ficar com a futura estrutura a ser criada, considerando que se justifica que "parte do esforço e parte dessa estrutura" fique sediada em Portugal.

No entanto, alertou para o facto de que nem todos os países da Europa "encaram a importância deste mecanismo", nomeadamente as regiões onde tragédias como as dos incêndios não são muito frequentes.

"Há países na União Europeia que são resistentes à ideia de um Mecanismo Europeu de Proteção Civil, porque só conseguem contextualizar o lado da despesa" e não percebem as particularidades do sul da Europa, notou.

A delegação do PPE, que começou a sua visita no dia 25 de janeiro às zonas afetadas pelos incêndios, foi presidida pela presidente da Comissão sobre o Ambiente, Saúde Pública e Segurança Ambiental do Parlamento Europeu, a romena Adina-Ioana Valean,  acompanhada pelos eurodeputados portugueses Nuno Melo (CDS), José Inácio Faria (MPT), Sofia Ribeiro e Cláudia Monteiro de Aguiar (PSD).

Questionada pelos jornalistas, Adina-Ioana Valean realçou que a reformulação do mecanismo europeu é uma "boa iniciativa", apesar de reconhecer que é "complexa" e que pode ser melhorada com as aprendizagens que leva da visita aos territórios afetados em Portugal.

"Temos que aprender a prevenir acidentes e a lutar quando estes estão a acontecer. Temos esse mecanismo e a Europa está pronta para pôr algum dinheiro para desenvolver as suas próprias respostas para ajudar as pessoas ou para lutar em situações de desastres", afirmou a eurodeputada romena, que defendeu também um maior apoio a nível europeu às instituições que estudam os fogos e os seus efeitos, como é o caso do laboratório que visitaram, na Lousã, coordenado pelo especialista Domingos Xavier Viegas.

Já o eurodeputado do MPT José Inácio Faria salientou que, além do trabalho que tem de ser feito no âmbito da proteção civil, é necessário "pôr em cima da mesa uma política de reflorestação a sério", afirmando que a Europa pode ter um papel em termos de "harmonização de legislação" nesta área.

A eurodeputada do PSD Sofia Ribeiro alertou, por outro lado, para a necessidade de manutenção do orçamento europeu para a agricultura no pós-2020, considerando que esta área tem relevância não apenas para o desenvolvimento económico, como para o "desenvolvimento da coesão não apenas territorial como social".

A delegação de eurodeputados do PPE começou a visita nas zonas afetadas e terminou na Marinha Grande, distrito de Leiria.